[ long things / coisas compridas ]

«So they came to my house and said:
—But can’t you write long things? What you bring is a misery.
—Long things how?
—Well, romances, authentic chronics, solid essays.
—No, that I can’t do.
—Than you aren’t a writer.
—Well no. Who dared calling me such a thing?—that’s where I almost got obdurated.
—It’s no offense, sorry. But a long thing, please, can’t you get?
—Look, the longest I have is this. And that was already hard. When things are getting bigger, I immediately throw them away. You understand, right?»

/
«Então chegaram a minha casa e disseram-me:
—Mas você não consegue escrever coisas compridas? Isso que traz é uma miséria.
—Coisas compridas como?
—Bem, romances, crónicas autênticas, ensaios sólidos.
—Não, isso não sou capaz.
—Então você não é um escritor.
—Pois não. Quem se atreveu a chamar-me tal coisa?—aí é que me ia encanzinando.
—Não é ofensa, desculpe. Mas uma coisa comprida, por favor, não arranja?
—Olhe, o mais comprido que tenho é isto. E já foi difícil. Quando as coisas vão a ficar maiores, deito logo fora. Compreende, não é?»

Mário-Henrique Leiria, Contos do Gin-Tonic, 1973

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