“Network”, Sidney Lumet


Related to the previous post, and about the sensationalism in television and the importance given to audience levels instead of a quality public service, truly informative and educative, I remembered Sidney Lumet’s film, from 1976, Network.

The film, whose main character is the news anchor Howard Beale, makes a critic to television’s ethic values. Beale, whose dismissal (due to low audience levels) is only stopped because of a “madness attack” (in which Beale encourages the viewers to get mad about the system), becomes an audience pull phenomenon, by revolting against the system. Mark Fisher speaks about that same phenomenon in Capitalist Realism (2009), giving Kurt Cobain as an example:

«In his dreadful lassitude and objectless rage, Cobain seemed to give wearied voice to the despondency of the generation that had come after history, whose every move was antecipated, tracked, bought and sold before it had even happened. Cobain knew he was just another piece of spectacle, that nothing runs better on MTV than a protest against MTV; knew that his every move was a cliché scripted in advance, knew that even realizing it is a cliché. The impasse that paralyzed Cobain is precisely that one that Jameson described: like postmodern culture in general, Cobain found himself in ‘a world in which stylistic innnovation is no longer possible, [where] all that is left is to imitate dead styles in the imaginary museum’. Here, even sucess meant failure, since to succeed would only meant that you were the new meat on which the system could feed.»

From Sidney’s Lumet film, I emphasise one of Howard Beale’s most lucid speeches  (that ends with a live fainting, which always suits well). The transcription is relative to the excerpt placed at the top.

«Because you people and 62 thousand americans are listening to me right now, because less than 3% of you people read books, because less than 15% of you read newspapers, because the only truth you know is what you get over this tube! Right now there’s a hole: an entire generation that never knew anything that didn’t came out of this tube! This tube is the gospel, the ultimate revelation! This tube can make all bright presidents, popes, prime-ministers. This tube is the most awesome goddamned force in the whole godless world!

So, you listen to me! You listen to me! Television is not the truth. Television is a goddamned amusement park. Television is a circus, a carnival, a traveling troupe of acrobats, storytellers, dancers, singers, jugglers, sideshow freaks, lion tamers, and football players!

We’re in the boredom-killing business. So if you want the truth, go to God. Go to your gurus. Go to yourselves. Because that’s the only place you’re ever going to find any real truth! But man, you’re never going to get any truth from us. We’ll tell you anything you want to hear. We lie like hell. We’ll tell you that Kojak always gets the killer and that nobody ever gets cancer at Archie Bunker’s house and no matter how much trouble the hero is in, don’t worry, just look at your watch, at the end of the hour he’s going to win. We’ll tell you any shit you want to hear! We deal in illusions, man. None of it is true! But you people sit there day after day, night after night, all ages, colors, creeds… we’re all you know! You’re beginning to believe the illusions we’re spending here, you’re begging to believe this tube is the reality and that your own lifes are unreal! You do whatever the tube tells you! You dress like the tube, you ate like the tube, you rase your children like the tube, you even think like the tube! This is mass madness, you maniacs! Turn off your television sets, turn them off now! Turn them off right now! Turn them off and leave them off! Turn them off right in the middle of the sentence I’m speaking to you now! Turn them off!»

Other of his famous speeches (the most known):


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No seguimento do post anterior, e relativamente ao sensacionalismo na televisão e a importância dada ao angariar audiências em detrimento de um serviço público de qualidade, verdadeiramente informativo e educativo, lembrei-me do filme de Sidney Lumet, de 1976, Network (Escândalo na TV, em português).

O filme, cuja principal personagem é o pivot Howard Beale, faz uma crítica aos valores éticos da televisão. Beale, cujo despedimento (devido às baixas audiências) apenas acaba por ser travado por um “acesso de loucura” (em que Beale incita os espectadores a se indignarem contra o sistema), torna-se num fenómeno de atracção de audiências, ao revoltar-se contra o sistema. Mark Fisher fala nesse fenómeno em Capitalist Realism (2009), dando Kurt Cobain como exemplo:

«Na sua lassidão e raiva sem finalidade, Cobain parecia dar uma voz cansada ao desalento da geração que veio depois da história, cujos movimentos foram antecipados, controlados, comprados e vendidos antes mesmo de acontecerem. Cobain sabia ser apenas outra parte do espectáculo, que nada funciona melhor na MTV do que um protesto contra a MTV; sabia que todos os seus movimentos eram um cliché planeado com antecedência, sabia disso mesmo percebendo ser um cliché. O impasse que paralisou Cobain foi precisamente o que Jameson descreveu: como na cultura pós-moderna em geral, Cobain encontrou-se “num mundo em que a invoação estilística já não é possível, [onde] tudo o que resta é imitar estilos mortos num museu imaginário.” Aqui, mesmo o sucesso significa o fracasso, já que para se ter sucesso significaria apenas ser-se a nova carne de que o sistema se poderia alimentar.»

Do filme de Sidney Lumet, saliento um dos mais lúcidos discursos de Howard Beale (que acaba com um desmaio em directo, o que calha sempre bem). A transcrição é referente ao excerto do filme colocado acima:

«Edward George Ruddy morreu hoje! Edward George Ruddy era o presidente da direcção da União dos Sistemas Televisivos e morreu hoje às 11 horas da manhã de doença cardíaca. Ai de nós! Estamos num monte de sarilhos! Um homem rico baixinho de cabelo branco morreu. O que é que isso tem a ver com o preço do arroz? E porque é que isso é um sofrimento para nós? Porque vocês, e 62 milhões de outros americanos estão a ouvir-me neste exacto momento. Porque menos de 3 por cento de vocês lêem livros. Porque menos de 15 por cento de vocês lêem jornais. Porque a única verdade que vocês sabem é a que sai desta caixa. Neste momento há uma geração inteira, que nunca aprendeu nada que não tivesse saído desta caixa! Esta caixa é o Evangelho, a revelação final. Esta caixa pode eleger ou derrubar presidentes, papas e primeiros ministros. Esta caixa é a força mais fantástica que existe, neste mundo desalmado. E ai de nós, se ela cair nas mãos das pessoas erradas! E pobres de nós, porque o Edward George Ruddy morreu. Porque esta emissora está agora nas mãos da CCA, a Corporação de Comunicações da América. Há um novo presidente, um homem chamado Frank Hackett, sentando na cadeira do gabinete do Sr. Ruddy no 20.º andar. E quando as 12 maiores empresas do mundo controlam a maior e a mais fantástica máquina de propaganda neste mundo desalmado, quem saberá que merda será divulgada como sendo a verdade nesta emissora!

Por isso, escutem-me. Escutem-me! A Televisão não é a verdade. A Televisão é um maldito parque de diversões! A Televisão é um circo, um carnaval, um grupo de acrobatas, contadores de histórias, bailarinos, cantores, malabaristas, espectáculo de feira, domadores de leões e jogadores de futebol!

Estamos no negócio da matança do aborrecimento. Por isso, se querem a verdade, procurem Deus. Procurem os vossos gurus. Procurem dentro de vós, porque é o único lugar onde encontrarão a verdade autêntica. Vocês sabem que não conseguirão nenhum tipo de verdade da nossa parte. Dizemos o que quiserem ouvir. E mentimos sem dó nem piedade. Dizemos que o detective apanha sempre o assassino, e que ninguém adoece com cancro na telenovela. Não importa quantos problemas o herói tem de resolver. Não se preocupe. Olhe bem para o relógio. Ao fim de uma hora, ele terá vencido! Dizemos qualquer porcaria que queiram ouvir! Lidamos com ilusões. Nenhuma é verdadeira! Mas vocês, sentam-se em frente dela, dia após dia, noite após noite.  São de todas as idades, cores e credos. Somos tudo o que vocês conhecem. Estão a começar a acreditar nas ilusões que engendramos aqui. Estão a começar a pensar que a caixa é a realidade e as vossas vidas são falsas. Vocês fazem tudo o que a caixa vos manda fazer! Vestem-se como ela manda, comem o que ela manda, criam os vossos filhos como ela manda e até pensam como ela. Isto é a loucura colectiva, seus alienados! Por Deus! Vocês é que são a realidade! Nós somos a ilusão! Portanto, desliguem os televisores. Desliguem-nos imediatamente! Desliguem-nos e deixem-nos desligados. Desliguem-nos a meio da frase que vou dizer agora. Desliguem-nos!»

Outro dos seus famosos discursos (o mais conhecido).

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