History of the Lie / História da Mentira [1]

This is another curious book I found (once again at Gulbenkian’s Art Library) a while ago and which title I thought it was interesting, particularly for the explanation the authors give in the inside.

The following quote has been picked up from the preface, and is signed by the authors Cristiano Lima and Almeida e Sousa:

«But if we aren’t witches, nor prophets, being missing, therefore, the gift of guessing and the prodigious and superhuman faculties of predicting, how can we answer to objections of which we ignore the substance, since they don’t exist yet in the moment we are writing this words?

We must clarify that these are no longer others’ objections, but ours.

One concerns the title of this book. Is it really a History of the Lie? We answer, we the most disinterested sincerity, that no. A History either is complete, or isn’t History. This one isn’t complete, therefore the title doesn’t match, but partly, to the text. If it’s incomplete, that’s not out fault. First, if the as crazy as incommensurate ambition we were tempted, soon two invincible and majestic impossibilities, rudimentary but tough, would condemn to a lusterless defeat, that the ridiculous would subvert in some specie of heroism, as if we could do it.

The first is time. The second, space. Regarding the first: our life wouldn’t be enough, suppressing from it the hours that couldn’t be work, even if, for ten times, we could multiply it. Concerning the second: the lie is infinite and this book isn’t

A History of the Lie Through Times that constitutes a lie in itself, for not keeping up with the “history of the lie through times”, staying in 1945 (the book’s publishing date), maybe even less (given the time taken with the investigation + writing + reviewing + printing + others I can’t think of at the moment.

In another excerpt I also emphasize, the authors try to inquire what exactly is a truth, and what their approximations and departures are, regarding the lie. Are they oposites, has we tend to think?

«Without passing the Garden of Paradox, we understand that the truth, in certain cases, isn’t more than a conventional lie. It’s duration, long in relation to human life, short in relation to life in the World, is limited. And a truth, by dying, turns into lie – in the lie it conventionally becomes. Since it is so, certain ideas and certain facts are truth or lies, having in mind the epoch in which they existed and the following times in which they were, in a diverse way, interpreted and labeled. We’re not talking any more about the rarity to produce a unanimous judgement, in an epoch, about a fact or an idea, even if it is a well-established fact and an uncontroversial idea.»

Until recently it was said that the excessive use of the phone could cause brain cancer. At that time, this was the truth. Now, it is said that one thing and another aren’t related. If it is true or not, we do not know. We will never know. But if we are told it is true, that studies have been carried out tests were executed in X “guinea pigs”, and that the scientist H and the laboratory Y certify the results, then it must be.

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Eis outro dos livros curiosos que encontrei (mais uma vez na Biblioteca de Arte da Gulbenkian) já há uns tempos e cujo título achei interessante, em particular pela explicação que os autores dão no interior.

A citação que se segue foi retirada do prefácio, e é assinada pelos autores Cristiano Lima e Almeida e Sousa:

«Mas se não somos bruxos, nem profetas, faltando-nos, portanto, o dom de adivinhar e a prodigiosa e sôbrehumana faculdade de prevêr, como podemos responder a objecções de que ignoramos a substância, visto não existirem ainda no momento em que estas palavras escrevemos?

Forçoso nos é esclarecer já que não se trata de objecções alheias, mas das nossas.

Uma delas diz respeito ao título dêste livro. É, de facto, uma História da Mentira? Respondemos, com a mais desinteressada das sinceridades, que não. Uma História ou é completa, ou não é História. Esta não é completa, logo o título não corresponde, senão parcialmente, ao texto. Se ela é incompleta, a culpa não nos cabe. Em primeiro lugar, se a tão louca como incomensurável ambição fôssemos tentados, logo duas invencíveis e magestosas impossibilidades, rudimentares mas implacáveis, nos condenariam a uma derrota sem brilho, que o ridículo subverteria qualquer espécie de heroísmo, se dêle fossemos capazes.

A primeira, a do tempo. A segunda, a do espaço. Quanto à primeira: não chegaria a nossa vida, suprimindo dela as horas que não poderiam ser de trabalho, mesmo que, por dez vezes, a pudéssemos multiplicar. Quanto à segunda: a mentira é infinita e este livro não o é

Uma História da Mentira Através dos Tempos que acaba por se constituir numa mentira ela mesma, por não acompanhar a “história da mentira através dos tempos”, ficando-se por 1945 (a data de edição do livro), talvez por menos ainda (tempo do processo de investigação + escrita + revisão + publicação + outros que agora não me ocorrem).

Noutro excerto que saliento ainda, os autores procuram averiguar no que consiste de facto uma verdade, e quais as suas aproximações ou afastamentos relativamente à mentira. Serão antónimos, como costumamos pensar?

«Sem passearmos no Jardim do Paradoxo, entendemos que a verdade, em certos casos, não passa de uma mentira convencional. A sua duração, longa em relação à vida humana, curta em relação à vida do Mundo, é limitada. E uma verdade, ao morrer, converte-se em mentira – na mentira que se convenciona que ela seja. Desde que assim é, determinadas idéias e determinados factos são verdadeiros ou mentirosos, consoante a época em que existiram e os tempos seguintes em que foram, de maneira diversa, interpretados e etiquetados. Já não falamos na raridade de se produzir um juízo unânime, numa época, sobre um facto ou uma idéia, ainda que se trate de facto sòlidamente estabelecido e de idéia incontroversa.»

Até há pouco tempo dizia-se que o uso excessivo do telemóvel poderia causar cancro no cérebro. Na altura, essa era a verdade. Agora, diz-se que uma coisa e outra não têm qualquer relação. Se é verdade ou não, não o sabemos. Nem nunca iremos saber. Mas se nos dizem que é verdade, que foram feitos estudos e efectuadas provas em X cobaias, e que o cientista H e o laboratório Y certificam os resultados, então é porque o deve ser. Até alguém se lembrar de fazer novas provas (e manipular resultados?) e surgir uma nova verdade, que se sobrepõe à antiga. Não apelidemos de mentirosa a teoria anterior, chamemos-lhe antes uma verdade que foi renovada. Ou, como está na moda afirmar, modernizada.

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