“só vejo filmes recentes, os velhos não prestam”

Não, não sou quem diz “só vejo filmes recentes, os velhos não prestam”, mas essa é uma afirmação [inconsequente] que ouço muitas vezes. E que me irrita um tanto, devo dizer. Penso que parte da culpa seja dos canais televisivos, que adoram passar Velocidades Furiosas, e associam o velho e o antigo ao aborrecido.

Gilles Lipovetsky afirma, em O Ecrã Global:

«Tendencialmente o espectador tornou-se um hiperconsumidor que já não suporta nem os tempos mortos nem os tempos de espera: precisa de mais emoções, mais sensações, mais espectáculos, mais coisas para ver para não bocejar e para sentir sem parar. Um neo-espectador que tem necessidade de explodir, que procura destroçar-se nas imagens, de experimentar ‘a embriaguez’ dionisíaca de se arrancar a si mesmo e à banalidade dos dias. Daí a hipertrofia do espectacular, marcado por uma fuga em frente do ritmo.»

Nas últimas semanas tenho ouvido falar do Titanic em vários canais televisivos, devido ao centenário da catástrofe. E, claro, um dos assuntos que tinha de voltar a ser destacado é o do relançamento do filme de James Cameron em 3D. Este é um exemplo claro em como os efeitos especiais servem para aumentar o volume de audiências, não acrescentando nada de novo no filme.

Recentemente fui ao cinema num centro comercial, sem saber os filmes que estavam em exibição, e devo dizer que quase estive para me ir embora. Velocidades Furiosas não havia, mas parecidos, com o espectacular, a adrenalina da velocidade e dos bad boys em destaque. Fúria de Titãs era um deles. Depois, dos que me lembro, havia o Titanic, em 3D, LoraxComprámos um Zoo!, com Matt Damon e Scarlett Johansson. Acabei por ver o último, porque até tinha bons actores e o cartaz parecia-me interessante. Sala meio cheia, toda a gente de pipocas crocantes na mão, e ouvir as meninas da fila de trás a rirem quando não tinha assim tanta piada e a chorar nas cenas “emocionantes”, fez-me pensar que a experiência de ir ao cinema actualmente se prende mais com a qualidade da visualização do que com o ambiente propriamente dito.

Mais, antes de entrar reparei que as salas mais lotadas eram mesmo a de Titanic  3D e Fúria de Titãs. É pena o modo como as pessoas são tão facilmente influenciadas pelo que passa na televisão e nos média em geral. Um filme antigo não presta, mas se algo a imitar a filme antigo ganha um óscar, a coisa muda logo de figura, como no caso de The Artist.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s