Category Archives: Translation process / Processo de tradução

Second hand translation/ Tradução de segunda mão

I’m at the moment at Gulbenkian’s Art Library, doing some research for my master’s dissertation. I was reading the preface of Hípias (menor), from Plato, when I found this note from the translator, Sant’Anna Dionísio, in a version from Seara Nova editors, from 1945.

Due to the bad quality of the image (for what I apologize, but I don’t have any camera with me at the moment and I had to use my computer’s webcam), and being the text in portuguese, I transcribe the text here:

«The translation offered  below wasn’t made directly from the greek text. It’s a second hand translation. Therefore, with no aspiration to critical attention. The modest fidelity it might contain is the trust deposited in the french version from Maurice Croiset.

We are the first to regret the bad service provided to culture and to the idiom with responsability translations without the formation (officialized, from university, or whatever) truthfully intentional – that is, protracted and with previous objectives determined and guaranteed – from translators not only averagely competent, but superiors and experts. Writing this words we are precisely remembering that it was just like this that in Renascence’s Italy thought and made when the classical greek were discovered. Rich families and humanists weren’t far from establishing, in advance, the cultural destiny of one or another child, saying: “—My boy, you’re going to study greek  for fifteen years so that you can translate Platos’ speeches.” At least, that was Ficino’s case, in Medici’s maecenas house.»

Honesty above all. But now I can’t say I read (or I’ll read) Platos’ Hípias (menor). All I can say is that, picking the translator’s words, I read a second hand translation. I read something that might be close to Platos’ Hípias (menor), but that isn’t.

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Encontro-me de momento na Biblioteca de Arte da Gulbenkian, a pesquisar para a elaboração da dissertação de mestrado. Estava a ler o prefácio do Hípias (menor) de Platão, quando encontrei esta nota da tradutora, Sant’Anna Dionísio, numa versão da editora Seara Nova, de 1945.

Devido à fraca qualidade da imagem (pelo que peço desculpa, mas não tenho nenhuma máquina fotográfica de momento e tive de usar a webcam do computador) transcrevo aqui o texto:

«A tradução que a seguir se oferece não é feita directamente do texto grego. É uma tradução de segunda mão. Por conseguinte, sem qualquer aspiração a atenção crítica. A modesta fidelidade que poderá conter é a que lhe confere a confiança depositada na versão francesa do helenista Maurice Croiset.

Somos os primeiros a lamentar o mau serviço que se presta à cultura e ao idioma com traduções de responsabilidade sem a formação (oficializada, universitária, ou como fôr) verdadeiramente intencional – isto é, demorada e de objectivo prèviamente determinado e garantido – de tradutores não apenas medianamente competentes, mas superiores e periciais. Ao escrevermos estas palavras está a acudir-nos precisamente a lembrança de que foi assim mesmo que na Itália do Renascimento se pensou e fêz quando se descobriram os clássicos gregos. Famílias ricas e humanistas houve que não estiveram longe de traçar, de antemão, o destino cultural de uma ou outra criança, dizendo: “—Meu menino, vais estudar grego durante quinze anos para então traduzires os diálogos de Platão.” Pelo menos, êsse foi o caso de Ficino, na casa mecénica dos Médicis.»

Honestidade acima de tudo. Mas agora já não sei se posso dizer que li (ou vou ler) o Hípias (menor) de Platão. Mais que não seja li, pegando nas palavras da tradutora, uma tradução de segunda mão. Li algo que poderá estar mais ou menos próximo do Hípias (menor) de Platão, mas que não o é.

The efficiency of Google Translate / A eficácia do Google Tradutor

Today I’ve made some experiences with my name in Google Translate and I realized that even the small changes can cause some major differences in the translation process.

Can the translation process be seen as reliable, when something as simple as an extra space in a word changes its meaning so significantly?

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Hoje estive a fazer algumas experiências com o meu nome no Google Tradutor, e cheguei à conclusão de que até as mais pequenas alterações podem causar enormes diferenças no processo de tradução.

Pode o processo de tradução ser visto como algo fiável, quando coisas tão simples como um espaço a mais numa palavra podem alterar o seu sentido de modo significativo?