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Balance

Imagem

Man On Rooftop With Eleven Man In Formation On His Shoulders, from an unidentified American artist, around 1930

Trying to balance job, study and more work. Bet this guy could do it easily.

O cúmulo do ideal de beleza

O cúmulo do ideal de beleza é tentar tornar uma imagem tão perfeita que ela acaba por se tornar precisamente o contrário. Eu, como muita gente, ganhei o hábito de, sempre que tiro uma fotografia, e antes de a utilizar, a editar no Photoshop, para retirar imperfeições, corrigir cores, etc… Mas confesso que duplicar axilas nunca foi muito a minha cena, ao contrário do que se pode ver nesta imagem de Karlie Kloss, e do fotógrafo Mário Testino.

Sempre me fez alguma confusão o facto de os manequins e afins serem vistos como objectos, e passarem uma imagem de perfeição inalcançável pelo comum mortal. Mas, ora, com Photoshop também eu. Fazer batota não vale… E depois é assim que temos casos extremos de pessoas que fazem [hipoteticamente] 500 cirurgias para se parecerem com Kens e Barbies, com disturbios alimentares graves (como anorexia e bulimia), e psicológicos nem se fala.

É recorrente marcas de cosméticos processarem-se umas às outras por publicidade enganosa. A última que li era de uma publicidade a um rímel, em que a manequim tinha pestanas falsas. A concorrente dessa marca (penso que a L’Óreal) processou-a, alegando que com o dito rímel não se adquiriria pestanas tão longas. O resultado foi a proibição do anúncio no Reino Unido.

Na minha opinião, deveria haver uma legislação que restringisse a manipulação das fotografias de moda e cosméticos. E nada de letras pequenas em baixo a dizer “imagens meramente ilustrativas”, porque nisso ninguém repara, e ninguém lê (experiência de quem trabalha no atendimento ao público à 5 anos: se não estiver escarrapachado, as pessoas por e simplesmente não reparam. E mesmo quando está, a mensagem tem de ser bastante simples e directa – a modinha de utilizar termos estrangeiros só vem dificultar a coisa a pessoas menos literadas).

Software anti-Photoshop?

Julia Roberts in L’Oreal’s ad vs. “real” Julia Roberts
/ Julia Roberts num anúncio da LÓreal vs. a “verdadeira” Júlia Roberts

Hany Farid, Informatic Sciences professor in the Dartmouth College, has devoloped a software that analyzes pictures and figures out if they have been manipulated in Photoshop. The program can also tell you the degree of manipulation.

Hurray! – I say – We shall not be deceived by the media again! (at least concerning pictures)

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Hany Farid, professor de Ciências Informáticas no Dartmouth College, diz ter desenvolvido um software que analisa imagens e detecta se foram manipuladas em Photoshop. O programa também informa acerca do nível de manipulação.

Hélas! – digo eu – Não seremos enganados pelos média novamente! (pelo menos no que diz respeito a imagens)

Notícia no Expresso Online

UnHate, by Benetton

«Integrated in the new Benetton campaign, UnHate, this image was the first victim in the battle field – mediatic, social, simbolic, etc. – in which, nowadays, the images live. In it we see the result of a digital manipulation: a kiss between the Pope and Ahmed Mohamed el-Tayeb (Imam of the Al-Azhar mosque, in Cairo). After Vatican’s protests and some catholic sectors, Benetton has decided to remove the image, being only five remaining from the same campaign, all of them fake, built according to the same principle: two leaders of the contemporary world kissing each other.»

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«Integrada na nova campanha da Benetton, UnHate (“Contra-o-Ódio”), esta imagem foi a primeira vítima do campo de batalha — mediático, social, simbólico, etc. — em que, hoje em dia, vivem as imagens. Nela vemos o resultado de uma manipulação digital: um beijo entre o Papa e Ahmed Mohamed el-Tayeb (Imã da mesquita Al-Azhar, no Cairo). Depois dos protestos do Vaticano e de alguns sectores católicos, a Benetton decidiu retirar a imagem, restando cinco da mesma campanha, todas elas fake, construídas de acordo com o mesmo princípio: dois líderes do mundo contemporâneo beijando-se.»

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Image manipulation / Manipulação da imagem


Hyppolite Bayard, 1840

«The corpse which you see here is that of M. Bayard, inventor of the process that has just been shown to you. As far as I know this indefatigable experimenter has been occupied for about three years with his discovery. The Government which has been only too generous to Monsieur Daguerre, has said it can do nothing for Monsieur Bayard, and the poor wretch has drowned himself. Oh the vagaries of human life….! … He has been at the morgue for several days, and no-one has recognized or claimed him. Ladies and gentlemen, you’d better pass along for fear of offending your sense of smell, for as you can observe, the face and hands of the gentleman are beginning to decay.»

«During the 1830s there was a race among inventors to be the first to perfect the photographic process. Louis Daguerre won the race (at least, he was the first to patent a process) and gained all the glory. This left some other inventors feeling bitter. Frenchman Hippolyte Bayard had independently invented a rival photographic process known as direct positive printing, and had done so as early as Daguerre, but his invention didn’t earn him fame and riches. Frustrated, he created a photograph to express his feelings. It showed himself pretending to be a suicide victim. He wrote an explanatory note on the back of it.

So while Bayard is not remembered as the first to invent photography, he is remembered for a different kind of first — the first to fake a photograph.» [font]

The conclusion we can take from this is that image manipulation is something that exists for a long time. Here, I only referrenced the photographic image, but before that we already had “realistic” paintures. And by “realistic” I mean supposedly realistic, since the paintures were to be beautiful, showing perfect persons in perfect poses in perfect scenarios. We can also remember the greek sculptures, in which the human body was shaped to show perfection.

So, we know picture manipulation exists, because it’s everywere: in magazines, in television, films… Even so, when we need a proof of something, we always tend to demand a photograph for that purpose. Why do we do that? We know “specialists” aren’t perfect, that they sometimes commit mistakes. We know all that, but our “seeing to believe” trust speaks higher. About that, I’ll later write about Elmyr de Hory, the painter. I’ll try not to forget about that for the next post.


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«O corpo que aqui vê é o do Sr. Bayard, inventor do processo que acabou de lhe ser mostrado. Tanto quanto sei, este experimentador infatigável esteve ocupado durante três anos com a sua descoberta. O Governo que terá sido apenas bastante generoso para o Sr. Daguerre, terá dito que não podia fazer nada pelo Sr. Bayard, e o pobre coitado afogou-se. Oh, os caprichos da vida humana! Esteve na morgue durante vários dias, e ninguém o reconheceu nem reclamou. Senhoras e senhores, é melhor passar adiante por medo de ofender o vosso sentido de cheiro, pois como podem observar, o rosto e as mãos do cavalheiro estão a começar a deteriorar-se.»

«Durante os anos 1830 havia uma competição entre inventores para serem os primeiros a aperfeiçoar o processo fotográfico. Louis Daguerre ganhou a corrida (pelo menos, foi o primeiro a patentear um processo) e ficou com toda a glória. Isto deixou um sentimento amargo em alguns inventores. O francês Hyppolite Bayard tinha, de modo independente, inventado um processo rival conhecido como impressão directa positiva, e tinha-o feito tão cedo quanto Daguerre, mas a sua invenção não lhe valeu nem fama nem riquezas. Frustrado, criou uma fotografia a expressar os seus sentimentos. Mostrava-se a ele próprio a fingir ser vítima de suicídio. Escreveu uma nota explicatória nas suas costas.

Por isso enquanto Bayard não é recordado como o primeiro a inventar a fotografia, é recordado por outro tipo de pioneirismo — foi pioneiro na falsificação de fotografias.» [fonte]

A conclusão que podemos retirar disto é que a manipulação da imagem é algo que há muito existe. Aqui, apenas fiz referência à imagem fotográfica, mas antes disso tínhamos já as pinturas “realistas”. E por “realistas” entenda-se supostamente realistas, sendo que as pinturas eram para ser bonitas, representando pessoas perfeitas em poses perfeitas em cenários perfeitos. Também nos podemos lembrar das esculturas gregas, em que o corpo humano era moldado de modo a exibir a perfeição.

Sabemos então que a manipulação da imagem existe, porque a encontramos em todo o lado: em revistas, na televisão, em filmes… Ainda assim, quando precisamos de uma prova de qualquer coisa, tendemos sempre a exigir uma fotografia para o propósito. Porque o fazemos? Sabemos que os “especialistas” não são perfeitos, que por vezes cometem erros. Sabemos disso tudo, mas a nossa crença no “ver para crer” fala mais alto. Sobre isso, irei mais tarde escrever sobre Elmyr de Hory, o pintor. Vou tentar não me esquecer desse assunto para o próximo post.